Conteúdo organizado por Natasha Young Buesa em 2022 do livro Educação a distância sem segredos, publicado em 2012 por Rita De Cássia Menegaz Guarezi e Márcia Maria De Matos, pela editora InterSaberes.
A Implantação do curso EaD
Já conversamos diversas vezes, ao longo do curso, sobre a importância das TICs e a sua influência no crescimento exponencial da modalidade a distância no ensino. Esse imenso crescimento deu-se e dá-se principalmente em função de propiciar o respeito aos limites individuais de cada estudante, considerando as distâncias, os tempos, as necessidades e as limitações sócio-econômicas, assim como o acesso a tecnologias, gerando interação entre indivíduos que se encontram em qualquer parte do mundo.
É um tipo de aprendizado que acontece em qualquer momento e local e, portanto, precisa de um planejamento especial no ‘desenho’ de curso, de técnicas especiais de ensino, de métodos especiais para a comunicação tecnológica, assim como uma boa organização e estrutura administrativa. (Paula, Ferneda & Campos Filho, 2004)
Vejamos então um modelo para a implantação de um curso a distância.
Moore e Kearsley (1996, como citado em Paula, Ferneda & Campos Filho, 2004) idealizaram um plano para a implantação de um curso EaD que se baseia em 5 partes.
Figura 2 - Modelo Sistêmico para a EaD

Fonte: Moore e Kearsley, como citado em Paula, Ferneda e Campos Filho, 2004, p. 4
Vejamos sobre cada uma dessas etapas.
Se tiver interesse em conhecer um pouco mais sobre a implantação e a gestão de cursos a distância leia os seguintes textos.
Escolher o tipo de curso a ser criado não é tarefa fácil e depende de inúmeras questões que precisam ser analisadas antecipadamente pela equipe responsável pela fase da estruturação do curso.
Dentre essas questões, podemos citar as necessidades dos alunos, a filosofia de trabalho da instituição de ensino que implantará o curso, os especialistas que serão necessários, as estratégias pedagógicas do curso, a formação necessária aos professores-tutores-mediadores, a necessidade de professores conteudistas que desenvolvam o conteúdo certo e eficaz para o curso, as atividades que permearão a formação dos estudantes no curso, os suportes necessários para o curso, dentre outras inúmeras questões.
Há uma série de tarefas que precisam ser executadas para que o design no curso fique completo e bem estruturado na modalidade a distância.
Dentre essas tarefas, podemos citar o design estrutural que trará o layout do curso, a ‘cara’ do curso que será vista pelos usuários, o planejamento em si do curso, que formatará o seu design, a produção dos materiais que serão usados pelos estudantes e as estratégias de avaliação.
Estudaremos cada um desses pontos com mais detalhes, mais adiante.
Neste momento, estará sendo realizada a execução, de fato, do curso. Será o momento de colocar em prática tudo o que foi idealizado, fornecendo aos alunos material adequado, suporte, garantia da passagem de informação e uma boa comunicação por meio de material impresso, áudio, vídeo, teleconferência, videoconferência, materiais midiáticos, softwares, etc., que diferenciam o curso a distância do presencial.
A escolha das ferramentas e suportes a serem utilizados no curso deve estar definitivamente estipulada nesta fase, e os materiais do curso já devem estar prontos.
Este é o momento de colocar a mão na massa, efetivamente.
Já sabemos que, no curso a distância, as interações não acontecem apenas entre o aluno e o professor ou o aluno e o material, mas também entre o aluno e o tutor, o aluno e os colegas de turma, e ainda entre o aluno e todos os demais elementos que fazem parte do mundo do estudantes como a família, a comunidade, o trabalho, dentre outros, e ainda, e principalmente, com a tecnologia.
As Tecnologias de Informação e Comunicação possibilitam inúmeros tipos de interação mediatizada antes impensáveis, bem como de interatividade com materiais inovadores e de ótima qualidade e variedade.
O fato de podermos usar em nossas aulas ferramentas digitais como e-mails, listas e grupos de discussão e transmissão, mídias digitais, e diversas outras ferramentas síncronas e assíncronas trazem uma série de vantagens porque possibilitam juntar a flexibilidade da interação com a independência de tempo e local, sem perder a qualidade.
Finalmente, ao falarmos sobre o ambiente do curso a distância, passamos a ter a possibilidade de estudar em diversos Ambientes Virtuais de Aprendizagem, sem que exista a necessidade de estar em uma sala de aula física e presencial, o que significa que este novo modelo abre as fronteiras do ensino para qualquer local (isso sem falar no tempo de cada pessoa).
No ensino a distância, estudantes e docentes estão separados fisicamente. (Paula, Ferneda & Campos Filho, 2004)
Em resumo, podemos dizer que para que a implantação de um curso a distância efetivamente ocorra é necessário que:
Vale ainda ressaltar que para termos um diagnóstico prévio à implantação de um curso EaD é importante analisar os seguintes pontos:
Tivemos a oportunidade de aprender, nesta aula, que o ensino a distância é um tipo de aprendizado que acontece em qualquer momento e local e, portanto, precisa de um planejamento especial no ‘desenho’ de curso, de técnicas especiais de ensino, de métodos especiais para a comunicação tecnológica, assim como uma boa organização e estrutura administrativa. Estudamos como ocorre o processo de implantação de um curso EaD, levando em conta o tipo de curso, o design do curso, a implementação, as interações e o ambiente. Vimos ainda algumas características importantes para a implantação desse curso e o que deve ser analisado previamente. Espero que tenha gostado.
Referências
Bibliográficas
Paula, Keilla Carrijo de; Ferneda, Edilson; & Campos Filho, Maurício Prates de. (2004). Elementos para implantação de cursos à distância. Colabor@ - Revista Digital da CVA-Ricesu.

Livro de Referência:
Educação a distância sem segredos
Rita de Cássia Menegaz Guarezi e Márcia Maria de Matos
InterSaberes, 2012